Formação, planejamento e ações nas escolas mobilizam profissionais, estudantes, famílias e comunidades na construção de uma educação comprometida com a equidade racial.

Bonito de Santa Fé segue avançando na implementação de sua Política Municipal de Educação Antirracista, fortalecendo uma estratégia fundamental para que esse compromisso se consolide no cotidiano das escolas: os Grupos de Estudos formados por profissionais da Rede Municipal de Ensino.
No dia 7 de agosto, durante mais um encontro da Formação Continuada em Educação para as Relações Étnico-Raciais, os profissionais reuniram-se nos turnos manhã e tarde para dar continuidade a um percurso que já vem sendo construído na rede. O encontro possibilitou aprofundar conhecimentos, compartilhar experiências e avançar coletivamente no planejamento das ações desenvolvidas nas unidades educacionais.
Mais do que momentos de formação, os Grupos de Estudos constituem espaços de diálogo, reflexão e construção coletiva. É por meio deles que os conhecimentos discutidos ao longo do percurso formativo dialogam com as experiências das escolas e fortalecem práticas comprometidas com uma educação antirracista.
Um compromisso de toda a escola
Os Grupos de Estudos envolvem profissionais das diferentes etapas e modalidades da Rede Municipal e dialogam com os diversos componentes curriculares, reafirmando um princípio essencial: a Educação para as Relações Étnico-Raciais é compromisso de toda a escola e deve atravessar o currículo.
Isso significa compreender que a educação antirracista não pode ficar restrita a uma disciplina, a um professor ou a determinadas datas do calendário. Cada área do conhecimento, respeitando suas especificidades, pode contribuir para a valorização das histórias, culturas, conhecimentos e identidades africanas, afro-brasileiras e indígenas.
É nesse movimento que os Grupos de Estudos ganham força. Ao reunir profissionais para estudar, refletir sobre suas realidades, compartilhar experiências e planejar coletivamente, a rede cria condições para que a política pública se materialize nas experiências vivenciadas pelos estudantes.
Uma política respaldada pela legislação
A Política Municipal de Educação Antirracista de Bonito de Santa Fé está sustentada por importantes marcos legais e educacionais, entre eles a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais.
O trabalho também está alinhado à Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), instituída pela Portaria MEC nº 470/2024, que reforça a formação dos profissionais da educação e o fortalecimento das redes de ensino como estratégias importantes para a promoção da equidade e o enfrentamento ao racismo na educação.
No âmbito municipal, o Decreto nº 186, de 29 de outubro de 2025, constitui um importante marco normativo para a implementação da Educação das Relações Étnico-Raciais na Rede Municipal de Ensino.
Do estudo à prática: um movimento que já acontece na rede
O encontro de 7 de agosto representou mais uma etapa de um percurso que já vem sendo desenvolvido na Rede Municipal de Ensino. Os Grupos de Estudos deram continuidade ao planejamento coletivo, aprofundando propostas e articulando os conhecimentos construídos durante a formação às experiências que já acontecem nas escolas.
Esse movimento vem ultrapassando os espaços formais de formação e alcançando estudantes, famílias e comunidades, ampliando o diálogo sobre identidade, pertencimento, diversidade, respeito e enfrentamento ao racismo.
Entre as experiências já desenvolvidas estão ações realizadas pelas unidades educacionais com a participação das famílias e atividades de pesquisa e vivência em comunidades quilombolas, aproximando os conhecimentos trabalhados na escola das histórias, memórias, saberes e experiências presentes nos territórios.
Essas iniciativas demonstram a importância dos Grupos de Estudos dentro da Política Municipal: o conhecimento construído coletivamente não permanece restrito aos encontros formativos. Ele alimenta o planejamento, provoca novas práticas e fortalece a relação entre escola, família, comunidade e território.
Novembro: um momento de socialização de um trabalho contínuo
O trabalho desenvolvido pelos Grupos de Estudos e pelas unidades educacionais não se encerra com a Mostra Cultural. Ele integra um processo contínuo de formação, planejamento e fortalecimento da Educação para as Relações Étnico-Raciais na Rede Municipal de Ensino.
Na segunda semana de novembro, a Mostra Cultural constituirá um importante momento de socialização das produções, experiências e aprendizagens construídas pelas escolas ao longo desse percurso.
A Mostra será um espaço de encontro, partilha e valorização do que vem sendo construído por profissionais, estudantes, famílias e comunidades, permitindo que as experiências desenvolvidas nas diferentes unidades educacionais sejam conhecidas e compartilhadas por toda a rede.
A Política Municipal de Educação Antirracista permanece, portanto, como compromisso para além da Mostra, fortalecendo a presença da Educação para as Relações Étnico-Raciais no currículo, no planejamento, nas relações, nos territórios e no cotidiano das escolas.
A Mostra Cultural celebra e compartilha um percurso. O compromisso com uma educação antirracista continua.
Enfrentar o racismo também é educar
A Política Municipal de Educação Antirracista também reforça a importância de não silenciar diante de situações de racismo ou discriminação racial.
Casos podem ser comunicados pelo canal:
*antirracistabonitodesantafe.pb@gmail.com
A comunidade escolar também pode procurar a direção da unidade de ensino, para acolhimento e encaminhamento à Comissão Municipal de Educação Antirracista.
Bonito de Santa Fé fortalece, assim, uma concepção de educação antirracista construída com continuidade, intencionalidade, participação coletiva e compromisso institucional.
Dos Grupos de Estudos às salas de aula. Das escolas às famílias. Das famílias às comunidades. Um movimento que reconhece o território, valoriza identidades e transforma conhecimento em prática.
Porque uma rede comprometida com a educação antirracista estuda, planeja, previne, acolhe e age.